Tiago Oliva Schietti entende que um cemitério bem cuidado comunica muito mais do que respeito aos que partiram. Ele comunica cuidado com os que ficam. A forma como esses espaços são planejados, arborizados e mantidos interfere diretamente na experiência das famílias durante as visitas e no valor simbólico que o local representa para a comunidade. Este artigo discute como o paisagismo e a arborização em cemitérios equilibram estética, funcionalidade e respeito, e por que essa discussão é cada vez mais relevante para o setor funerário brasileiro.
Por que o paisagismo em cemitérios vai além da estética?
Um cemitério não é apenas um espaço de sepultamento. É um lugar de elaboração do luto, de visitas periódicas e de conexão afetiva com a memória de entes queridos. Quando esse espaço é bem arborizado e planejado, ele oferece conforto térmico, sensação de acolhimento e uma ambiência que favorece o recolhimento emocional das famílias.
Tiago Oliva Schietti observa que cemitérios com bom paisagismo registram maior satisfação entre as famílias usuárias e tendem a ser percebidos como instituições mais sérias e comprometidas com a dignidade de seus serviços. O investimento em arborização, portanto, não é custo, mas posicionamento estratégico e diferencial competitivo no mercado funerário.
Como equilibrar revitalização e respeito ao caráter do espaço?
Reformular o paisagismo de um cemitério exige sensibilidade. Alterações mal planejadas podem gerar conflitos com famílias que possuem vínculos afetivos com determinadas árvores ou configurações do espaço. Por isso, qualquer projeto de revitalização deve ser conduzido com participação da comunidade, escuta ativa das famílias e respeito à história do local, evitando intervenções que desconsiderem o caráter simbólico do ambiente.
Ao mesmo tempo, a inércia também tem um custo. Cemitérios com vegetação desordenada, árvores sem manejo adequado e jardins mal conservados transmitem abandono, o que compromete a experiência das visitas e a imagem da instituição. Para Tiago Oliva Schietti, o equilíbrio está em projetos que renovem sem apagar, que modernizem sem desrespeitar.
Quais espécies vegetais são mais indicadas para cemitérios?
A escolha das espécies vegetais é uma das decisões mais importantes em um projeto de paisagismo cemiterial. Plantas de baixa manutenção, resistentes ao clima local e com crescimento controlado são as mais indicadas, pois reduzem custos operacionais e evitam danos a estruturas como jazigos, calçadas e muros. Espécies com floração discreta e folhagem perene costumam ser priorizadas por criarem uma ambiência de serenidade ao longo do ano.

Tiago Oliva Schietti recomenda ainda atenção especial ao porte das árvores em relação à infraestrutura existente. Raízes agressivas podem comprometer jazigos e redes de drenagem, gerando problemas estruturais sérios e custos elevados de manutenção corretiva.
O cemitério-parque é o modelo ideal de arborização?
O conceito de cemitério-parque, bastante difundido em países como Estados Unidos e Reino Unido, chegou ao Brasil com força nas últimas décadas. Nesse modelo, o espaço cemiterial é integrado a grandes áreas verdes, com gramados extensos, alamedas arborizadas e identificação das sepulturas por placas rasas no solo, criando uma paisagem que se assemelha a um parque urbano.
Esse modelo tem vantagens claras em termos de conforto ambiental e apelo visual, mas exige planejamento rigoroso e manutenção constante para funcionar bem. Para Tiago Oliva Schietti, o cemitério-parque representa uma evolução importante na forma como a sociedade se relaciona com os espaços de memória, tornando-os mais acessíveis, acolhedores e integrados à vida urbana cotidiana.
Como a arborização impacta o entorno e a comunidade?
Cemitérios bem arborizados exercem impacto positivo direto sobre o entorno urbano. Funcionam como ilhas de vegetação em meio às cidades, contribuindo para a regulação térmica, a absorção de água pluvial e a preservação da biodiversidade local. Em muitas cidades brasileiras, os cemitérios representam um dos poucos remanescentes de vegetação densa em áreas densamente urbanizadas.
Reconhecer esse papel ambiental amplia a responsabilidade das administradoras de cemitérios e abre espaço para parcerias com órgãos públicos e iniciativas de sustentabilidade. Cuidar do verde nesses espaços é, ao mesmo tempo, cuidar da cidade e honrar a memória de quem neles repousa.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

