Muse Image foi desativado poucos dias após o lançamento diante de forte reação sobre privacidade e uso de imagens
A Meta recuou rapidamente de uma de suas apostas mais recentes em inteligência artificial. A empresa retirou do Instagram o Muse Image, ferramenta de geração de imagens por IA que permitia a qualquer usuário mencionar uma conta pública da rede social com o símbolo “@” para usar as fotos daquele perfil como referência em uma nova criação.
Uma configuração que ativava o recurso automaticamente
O principal problema apontado por usuários e especialistas estava na configuração inicial da ferramenta. A Meta havia decidido ativar por padrão a permissão de uso de imagens de contas públicas para alimentar o sistema de IA, obrigando as pessoas a navegarem pelas configurações da plataforma para desativar a opção manualmente, caso não quisessem que seu conteúdo fosse usado dessa forma (fonte: PPLWare).
Segundo a Meta, contas privadas não entravam na ferramenta, e perfis de menores de 18 anos ficavam automaticamente excluídos do recurso. Adultos com contas públicas podiam optar por não participar em poucos cliques, e a empresa afirmava que o Muse Image contava com mecanismos de segurança para evitar abusos, incluindo a impossibilidade de criar montagens ultrarrealistas de figuras políticas conhecidas durante os testes internos.
A reação de artistas e sindicatos
A retirada da ferramenta ocorreu apenas três dias após seu lançamento, em meio a uma forte reação de usuários, artistas e representantes da indústria do entretenimento. A atriz Hannah Einbinder, vencedora do Emmy pela série “Hacks”, relatou publicamente que a opção havia sido habilitada automaticamente em seu perfil e orientou seus seguidores a desativarem o recurso nas configurações da plataforma.
O SAG-AFTRA, maior sindicato de atores dos Estados Unidos, também se manifestou sobre o caso, classificando a decisão da Meta de incluir automaticamente os usuários no recurso como “um erro completo de avaliação do sentimento público” em relação ao uso da inteligência artificial. Para a entidade, qualquer mecanismo diferente de um modelo de opt-in, em que o usuário precisa autorizar expressamente sua participação, seria inadequado diante dos riscos associados ao uso de imagens pessoais por sistemas de IA generativa.
O que continua disponível e o que muda
Apesar da retirada do Instagram, a Meta informou que o Muse Image segue disponível no WhatsApp e no aplicativo independente Meta AI. Outros recursos de inteligência artificial apresentados na mesma semana para o Instagram, incluindo filtros criados a partir da mesma tecnologia, também permaneceram ativos, já que a funcionalidade removida era especificamente a que utilizava perfis públicos como referência para gerar novas imagens.
Um recuo dentro de uma estratégia maior de IA
O episódio ocorre em meio a investimentos bilionários da Meta em infraestrutura e contratação de talentos de inteligência artificial, movimento que busca colocar a empresa em posição de concorrer diretamente com Google, OpenAI e Anthropic. A companhia também confirmou que desenvolve um modelo de geração de vídeo, batizado de Muse Video, sob o mesmo laboratório responsável pelo Muse Image, o Meta Superintelligence Labs.
Para quem usa o Instagram e outras redes sociais da Meta, a recomendação de especialistas em privacidade é revisar periodicamente as configurações relacionadas ao uso de imagens por sistemas de IA, já que novas funcionalidades desse tipo devem continuar sendo testadas pela empresa nos próximos meses.
Fontes:
Diário do Centro do Mundo: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/meta-desativa-recurso-de-ia-no-instagram-dias-apos-lancamento/
Portal Anativa: https://www.portalanativa.com.br/2026/07/11/instagram-meta-remove-recurso-de-ia-apos-criticas/

