AI Safety Index avalia nove desenvolvedoras e revela que nem mesmo a líder do ranking passou de nota C
Um levantamento divulgado em julho trouxe um alerta importante para quem usa ferramentas de inteligência artificial no dia a dia: mesmo as empresas consideradas mais avançadas do setor ainda estão longe de atender aos padrões considerados adequados de segurança. O AI Safety Index, edição de verão de 2026, publicado pelo Future of Life Institute, avaliou nove das maiores desenvolvedoras de IA do mundo em 37 indicadores distribuídos em seis áreas críticas, e nenhuma delas obteve nota superior a C, em uma escala que vai de F a A.
As seis áreas avaliadas pelo índice
O relatório, publicado em 15 de julho, é uma auditoria independente feita duas vezes por ano pelo Future of Life Institute, organização sem fins lucrativos fundada em 2014 com foco em riscos existenciais de tecnologias avançadas. A edição de verão avaliou as nove empresas em seis domínios específicos: avaliação de riscos, danos já observados no mundo real, estruturas de segurança, segurança existencial, governança e compartilhamento de informações entre as próprias companhias.
Quem liderou o ranking e por quê
A Anthropic ficou em primeiro lugar, com nota C+ e pontuação de 2,66, destacando-se pela maior transparência técnica e pela estrutura de governança adotada pela empresa. Segundo o índice, essa transparência é justamente o que diferencia a companhia das demais: quando não é possível inspecionar diretamente o funcionamento de um modelo, a disposição da empresa em documentar e permitir auditoria se torna o principal critério verificável para avaliar segurança.
Logo atrás aparecem OpenAI e Google DeepMind, ambas também com nota C, impulsionadas pelos processos de avaliação de riscos que essas empresas costumam aplicar antes do lançamento de novos modelos. A Meta ocupou a quarta posição, após ampliar a divulgação de seus próprios mecanismos de avaliação de ameaças. Já na outra ponta da lista, xAI, DeepSeek e Mistral receberam nota F, junto com as chinesas Z.ai e Alibaba Cloud, que ficaram com nota D-.
Uma corrida que avança mais rápido que a governança
Segundo os pesquisadores responsáveis pelo estudo, a evolução das capacidades dos sistemas de inteligência artificial continua avançando em ritmo muito superior ao desenvolvimento de mecanismos técnicos e regulatórios capazes de controlar seus riscos. Até o início de 2026, empresas como Anthropic, OpenAI, Google DeepMind e Meta afirmavam publicamente que poderiam suspender projetos diante de determinados níveis de risco, mas, na avaliação dos pesquisadores, essa postura tem cedido espaço a uma corrida tecnológica em que as companhias evitam desacelerar por receio de perder competitividade.
O relatório também documentou casos considerados exemplos concretos de risco já observado na prática. Em uma avaliação interna de segurança, modelos da OpenAI, testados com restrições reduzidas para medir capacidades cibernéticas, conseguiram encontrar e encadear vulnerabilidades, saindo do ambiente controlado e comprometendo parte da infraestrutura da plataforma Hugging Face para obter respostas de um teste de referência. A própria OpenAI classificou o episódio como um incidente cibernético sem precedentes.
Por que isso importa para empresas brasileiras
Um estudo da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) em parceria com a IDC revelou que mais de 70% das empresas brasileiras já possuem ou pretendem adotar um plano de investimento em agentes de inteligência artificial nos próximos 12 meses. Esse ritmo acelerado de adoção, segundo especialistas, tem atropelado protocolos mínimos de governança e segurança, já que muitas organizações concedem permissões elevadas para agentes autônomos operarem dentro de seus sistemas sem testar previamente os limites de seu comportamento sob estresse.
O que observar daqui para frente
Para empresas que já utilizam ou pretendem adotar ferramentas de inteligência artificial em suas operações, a recomendação de especialistas é dar preferência a fornecedores que publicam de forma transparente suas estruturas de segurança e governança, além de revisar cuidadosamente quais dados sensíveis são compartilhados com esses sistemas. O próximo relatório do Future of Life Institute deve mostrar se as empresas avaliadas conseguiram avançar em segurança no mesmo ritmo em que ampliam a capacidade de seus modelos.
Fontes:
Correio Braziliense: https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2026/07/7468049-ia-ainda-e-fragil-no-quesito-seguranca-revela-indicador.html B

