A inteligência artificial deixou de ser um capítulo isolado de inovação tecnológica para se transformar no principal motor de investimento da economia mundial em 2026. Segundo projeções da consultoria Gartner, os investimentos globais em inteligência artificial devem alcançar US$ 2,59 trilhões em 2026, um crescimento de 47% em relação ao ano anterior, com mais de 45% desse montante direcionado à infraestrutura necessária para suportar aplicações de IA, incluindo servidores, chips, redes e data centers. Esse volume de recursos não fica restrito ao mundo digital. Ele já produz efeitos concretos sobre cadeias produtivas, logística internacional e, cada vez mais, sobre o dia a dia das empresas brasileiras que buscam se adaptar a essa nova realidade econômica.
A infraestrutura física por trás da revolução digital
Um dos aspectos menos discutidos dessa transformação é a dimensão física que sustenta a economia da inteligência artificial. Para Alexandre Pimenta, CEO da integradora logística Asia Shipping, a expansão da IA já reflete diretamente no comércio exterior brasileiro, já que cada novo modelo e cada expansão de capacidade computacional exige servidores, chips, sistemas de refrigeração e componentes produzidos em diferentes partes do mundo. Segundo ele, a inteligência artificial costuma ser associada a softwares e processamento de dados, mas existe uma infraestrutura física gigantesca por trás dessa transformação. Essa constatação ajuda a explicar por que portos, centros de distribuição e fábricas brasileiras vêm sentindo o impacto de uma corrida tecnológica que, à primeira vista, parece distante da economia real.
Os números do setor de semicondutores reforçam esse cenário. De acordo com a Semiconductor Industry Association, as vendas globais do setor alcançaram US$ 791,7 bilhões em 2025, um crescimento de 25,6% em relação ao ano anterior, impulsionadas principalmente pela demanda por infraestrutura de inteligência artificial. A entidade também projeta que o mercado global de semicondutores continue em expansão nos próximos anos. Como boa parte da produção de chips está concentrada em poucos países e empresas, a logística internacional passa a funcionar como elo estratégico entre polos tecnológicos e mercados consumidores, entre eles o brasileiro.
Empresas brasileiras aceleram investimentos em IA
Do ponto de vista corporativo, o Brasil também mostra sinais de maturidade na adoção da tecnologia. Um estudo da IBM, citado pelo guia de mercado da Alura, revelou que 78% das empresas nacionais planejam ampliar seus investimentos em inteligência artificial até o final de 2025, enquanto outra pesquisa, do portal Central do Varejo, aponta que 67% das companhias brasileiras já consideram a IA uma prioridade estratégica, voltada a otimizar operações, reduzir custos e abrir novas fontes de receita. Esse movimento é acompanhado por uma política pública específica: o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê investimentos de R$ 23 bilhões até 2028, uma tentativa de reduzir a dependência tecnológica em relação a potências como Estados Unidos e China.
Esse esforço de capacitação também aparece em iniciativas privadas. Uma parceria entre Google e Santander, por exemplo, oferece trilhas gratuitas de formação em inteligência artificial aplicada ao marketing e ao uso do assistente Gemini, abertas a partir dos 16 anos e voltadas a ensinar, na prática, como criar campanhas, analisar dados e automatizar tarefas do dia a dia profissional. Segundo Carolina Learth, head de Plataformas Globais do Santander, a parceria busca ampliar o acesso a ferramentas que impulsionam a empregabilidade dos brasileiros diante das mudanças provocadas pela tecnologia no mercado de trabalho.
Eventos reúnem empresários para discutir aplicação prática da IA
A movimentação em torno do tema também aparece na agenda de eventos corporativos do país. O AI Summit Brasil, considerado um dos principais congressos de inteligência artificial da América Latina, tem edições marcadas para os dias 22 e 23 de julho, no Instituto de Pesquisas Tecnológicas, em São Paulo, e para os dias 2 e 3 de setembro. O evento reúne executivos, formuladores de políticas públicas e investidores para debater negócios, ética e regulação da tecnologia. Já em Manaus, o DSX 2026 acontece nos dias 23 e 24 de julho, reunindo mais de 40 palestrantes para discutir como a inteligência artificial pode tornar empresas mais produtivas sem elevar custos operacionais.
Entre os destaques da programação do DSX está Felipe Roman, cofundador da Exact Sales e atualmente à frente de iniciativas de inteligência artificial na RD Station, que deve apresentar uma visão prática sobre como a tecnologia cria novas oportunidades de crescimento para negócios brasileiros. A programação também reserva espaço para discussões sobre agentes inteligentes capazes de automatizar processos inteiros de uma empresa, tema que reflete a transição de uma IA usada apenas para tarefas pontuais para uma IA que participa diretamente da tomada de decisões estratégicas.
O que muda na prática para empresas e trabalhadores
Para quem acompanha o setor de perto, a fase atual da inteligência artificial no Brasil já não é mais de experimentação isolada. O arcabouço legal existente, como a Lei Geral de Proteção de Dados, tem orientado investimentos em nuvem com exigências específicas de armazenamento local, o que impacta diretamente a forma como empresas brasileiras estruturam seus projetos de tecnologia. Esse cenário regulatório, somado ao crescimento da demanda por infraestrutura, sugere que o país caminha para integrar a inteligência artificial como parte estrutural de processos de negócio, e não apenas como uma ferramenta acessória.
Ainda assim, o Brasil enfrenta desafios importantes para não ficar apenas na posição de consumidor de tecnologia estrangeira. Enquanto Estados Unidos e China lideram a disputa por modelos e infraestrutura próprios, o país busca desenvolver capacidade tecnológica nacional em meio a um cenário de tarifas de importação que encarecem equipamentos essenciais para data centers e servidores. Esse equilíbrio entre acompanhar a corrida global e proteger a indústria nacional deve seguir como um dos principais temas econômicos dos próximos anos, especialmente à medida que a inteligência artificial se consolida como parte da infraestrutura básica da economia digital.
Fontes consultadas:
- https://docmanagement.com.br/07/15/2026/ia-deve-movimentar-us-259-trilhoes-em-2026-e-acelera-importacoes-de-tecnologia-para-o-brasil/
- https://www.alura.com.br/artigos/mercado-de-ia
- https://amazonas1.com.br/dsx-2026-mostra-como-a-inteligencia-artificial-pode-tornar-empresas-mais-produtivas-competitivas-e-lucrativas/
- https://aisummit.ia.br/
- https://www.diarioinduscom.com.br/Noticias/875321/ia_em_2026:_brasil_avanca_em_financas__regulacao_e_produtividade_assistida

