Musk diz que é preciso regulamentar inteligência artificial, mas que o mesmo não se aplica ao Twitter

Stefano Vasconcelos

Magnata deu declarações favoráveis à regulamentação da IA em Paris, onde foi convidado de honra do evento de tecnologia VivaTech

Elon Musk, dono da Tesla e da SpaceX, pronunciou-se nesta sexta-feira, 16, a favor da regulamentação da inteligência artificial (IA) e contra a mesma medida para a rede social Twitter, outra empresa que controla. “Sou a favor da regulamentação, é preciso ter alguma regulamentação para a IA, porque ela pode ser um risco para o público”, disse Musk em Paris, onde foi convidado de honra do evento de tecnologia VivaTech, em um auditório que recebeu cerca de 4 mil pessoas. Assim que Musk fez a declaração, o entrevistador do evento perguntou se não seria também uma boa ideia regulamentar o Twitter, e o empresário respondeu com um sonoro “não”. Musk insistiu em suas advertências sobre as consequências potencialmente “catastróficas” da IA na vida das pessoas. “Temos que nos dar um tempo (…) Temos que minimizar a possibilidade de algo dar errado com a aplicação da superinteligência”, declarou.

“Essa é a tecnologia mais disruptiva que já vimos”, ressaltou o empresário, que no entanto vê alguns pontos positivos na IA. “Estamos caminhando para a era da abundância, podemos ter tudo o que quisermos”, opinou. O empresário defendeu sua criticada gestão do Twitter, pela qual reconheceu ter pagado “caro”, referindo-se aos US$ 44 bilhões que desembolsou no final de 2022. “Estava preocupado, porque o Twitter estava tendo um efeito negativo sobre a civilização, e tudo o que afeta a civilização não é bom”, disse o proprietário da rede social, que perdeu boa parte de seu valor na bolsa de valores desde a aquisição e posterior implementação de um drástico plano de demissões. Ele disse que o Twitter se livrou de 90% dos “bots” e alegou que ela é a única empresa do setor cujo algoritmo “não é secreto”. “Os usuários estão passando mais tempo em nossa rede, o que é um sinal muito bom”, comemorou.

Musk definiu-se como “um defensor da liberdade de expressão” e considerou que seus limites são estabelecidos pelas leis de cada país. Ele prometeu que a rede que comanda “não promoverá coisas ofensivas”, mas também advertiu contra cair “na linha da censura” que, em sua opinião, acaba empobrecendo o debate público. Antes de seu discurso na VivaTech, Musk foi recebido pelo presidente da França, Emmanuel Macron, que está tentando convencer o empresário a instalar uma fábrica da Tesla na França. Em relação à principal fabricante de veículos elétricos, o empresário destacou o grande espaço para progresso que ela tem, já que apenas 2% da produção mundial de veículos é de matriz elétrica. “Há muito trabalho a ser feito na Tesla”, frisou.

 

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