Mercado aproxima previsão da inflação para 7,3% e reduz expectativa do PIB em 2021

O mercado financeiro voltou a subir as expectativas para a inflação e o dólar, ao mesmo tempo que reduziu a previsão para a recuperação da economia doméstica em 2021, segundo dados do Boletim Focus divulgados nesta segunda-feira, 30. A mediana da pesquisa do Banco Central com mais de uma centena de instituições apontou para o avanço de 7,27% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial da inflação brasileira. Esta é a 21ª semana seguida de elevação da projeção. Na edição passada, a previsão indicava alta de 7,11%. O BC persegue a meta inflacionária de 3,75%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, entre 2,25% e 5,25%. A prévia do índice foi a 0,89% em agosto, o maior valor para o mês desde 2002, e acumulou alta de 9,3% nos últimos 12 meses. Os analistas do mercado também revisaram para cima a expectativa para o IPCA de 2022, de 3,93% para 3,95%, a sexta semana seguida de aumento da previsão. A meta para a inflação no ano que vem é de 3,5%, com variação entre 2% e 5%.

Apesar do aumento das expectativas da inflação, as instituições financeiras conservaram a previsão para a Selic, a principal ferramenta do BC para controlar o IPCA, em 7,5% ao ano no fim de 2021 e 2022. O Comitê de Política Monetária (Copom) acrescentou 1 ponto percentual na taxa de juros no início deste mês, elevando a Selic para 5,25%. O colegiado afirmou que deve fazer novo acréscimo da mesma magnitude na reunião agendada para setembro. A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) foi revisada para baixo pela terceira semana seguida. A expectativa do mercado passou para alta de 5,22%, ante previsão de 5,27% na semana passada. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga nesta quarta-feira, 1º, o desempenho do PIB no segundo trimestre de 2021. O Monitor do PIB, divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), apontou queda de 0,3% ante o primeiro trimestre. Segundo o IBGE, o índice registrou alta de 1,2% nos três primeiros meses do ano. A mediana para o câmbio também sofreu mudança, de R$ 5,10 para R$ 5,15. O dólar retomou a trajetória de alta no início de julho com o recrudescimento do ambiente político doméstico e a disseminação da variante Delta da Covid-19 em diversas partes do mundo. O câmbio opera nesta segunda-feira na casa de R$ 5,20.