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Economia

Inteligência artificial pode acelerar economias emergentes, mas empresas precisam superar novos desafios

Diego Velázquez
Diego Velázquez 10/08/2026
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Relatório do Banco Mundial aponta potencial da IA para ampliar produtividade e desenvolvimento, enquanto empresas enfrentam custos, falta de qualificação e infraestrutura.

Contents
Por que a inteligência artificial pode acelerar a economia?O que muda para empresas que investem em IA?A IA vai criar oportunidades ou substituir trabalhadores?

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta associada ao setor de tecnologia e passou a ocupar espaço central nas discussões sobre produtividade, competitividade e crescimento econômico. Nos últimos dias, um relatório do Banco Mundial chamou atenção ao apontar que a IA pode funcionar como uma espécie de acelerador para economias emergentes, permitindo avanços que tradicionalmente levariam décadas. A avaliação ocorre justamente quando empresas de diferentes setores ampliam investimentos em automação, análise de dados e ferramentas capazes de executar tarefas antes realizadas exclusivamente por profissionais.

O movimento ajuda a explicar por que a inteligência artificial ganhou importância também fora das grandes empresas de tecnologia. Para pequenos negócios, indústrias, bancos, varejistas e prestadores de serviços, a discussão deixou de ser apenas sobre experimentar novas ferramentas e passou a envolver retorno financeiro. Uma pesquisa divulgada nos últimos dias mostra que empresas estão aumentando a cobrança por resultados concretos dos investimentos em IA, depois de uma primeira fase marcada principalmente por testes e experimentações.

Por que a inteligência artificial pode acelerar a economia?

A principal promessa econômica da inteligência artificial está na capacidade de realizar ou apoiar tarefas que consomem tempo, como análise de documentos, atendimento ao consumidor, processamento de informações, criação de relatórios e identificação de padrões em grandes volumes de dados. Quando essas atividades são automatizadas ou executadas com auxílio de sistemas inteligentes, profissionais podem concentrar parte do tempo em decisões estratégicas, relacionamento com clientes e atividades que exigem conhecimento específico.

Esse efeito pode ser particularmente relevante em economias emergentes, nas quais empresas frequentemente enfrentam limitações de capital, infraestrutura e mão de obra especializada. O Banco Mundial avaliou que a IA pode abrir uma oportunidade para países em desenvolvimento acelerarem seu processo de crescimento. A tecnologia, nesse cenário, não seria apenas uma ferramenta de produtividade para companhias já avançadas, mas também uma possibilidade de reduzir algumas etapas necessárias para alcançar determinados níveis de eficiência.

O impacto também pode aparecer no empreendedorismo. Uma pequena empresa que antes precisava contratar diferentes fornecedores para produzir textos, organizar informações, analisar dados ou automatizar determinadas rotinas pode utilizar ferramentas digitais para executar parte dessas tarefas com uma estrutura mais enxuta. Isso não significa que a IA elimine a necessidade de profissionais, mas pode mudar a forma como o trabalho é distribuído dentro das empresas.

No Brasil, essa transformação ganha importância diante do esforço de formação de mão de obra especializada. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê ações para capacitar profissionais em desenvolvimento e utilização de ferramentas de IA, com meta de formação de 20 mil pessoas por ano até 2028. O programa também prevê iniciativas de requalificação profissional para trabalhadores afetados pela automação.

O que muda para empresas que investem em IA?

A fase de simplesmente testar ferramentas de inteligência artificial começa a dar lugar a uma preocupação mais objetiva: qual problema do negócio a tecnologia resolve e quanto valor ela consegue gerar? Esse movimento é importante porque adquirir uma ferramenta de IA não garante automaticamente aumento de produtividade. Sem dados organizados, integração com sistemas existentes e profissionais preparados, a tecnologia pode gerar custos adicionais em vez de ganhos.

Levantamentos recentes sobre adoção empresarial apontam justamente esses obstáculos. Empresas avançam no uso da inteligência artificial, mas ainda encontram dificuldades relacionadas à qualidade dos dados, integração tecnológica e qualificação das equipes. Por isso, o retorno sobre o investimento tende a depender menos da novidade da ferramenta e mais da capacidade da companhia de incorporá-la aos processos cotidianos.

Na prática, isso significa que uma empresa interessada em IA precisa identificar tarefas repetitivas ou processos que geram gargalos antes de escolher uma solução. Atendimento ao cliente, organização de documentos, previsão de demanda, análise financeira, suporte interno e produção de conteúdo são exemplos de áreas que podem receber automação ou assistência inteligente. O objetivo deve ser mensurável, como reduzir tempo de execução, diminuir erros ou melhorar a experiência do consumidor.

Outro ponto importante é a segurança. Quanto maior a utilização de sistemas de IA, maior também pode ser a circulação de informações dentro dessas plataformas. Empresas precisam estabelecer regras para dados confidenciais, revisar permissões de acesso e avaliar como fornecedores armazenam e processam informações. A transformação digital, portanto, não envolve apenas comprar tecnologia, mas também criar processos de governança capazes de reduzir riscos.

Para pequenos negócios, essa mudança pode representar uma oportunidade especialmente relevante. Ferramentas de inteligência artificial disponíveis pela internet podem reduzir barreiras de entrada em determinadas atividades digitais e permitir que empreendedores realizem tarefas que anteriormente exigiam equipes maiores. Ao mesmo tempo, a facilidade de acesso aumenta a necessidade de diferenciar produtividade real de simples uso da tecnologia.

A IA vai criar oportunidades ou substituir trabalhadores?

A relação entre inteligência artificial e empregos tende a ser mais complexa do que a ideia de substituição total de profissionais. Algumas funções repetitivas podem perder espaço à medida que empresas automatizam processos, mas novas demandas também surgem. Profissionais capazes de utilizar IA, interpretar resultados, supervisionar sistemas e tomar decisões continuam sendo necessários, especialmente quando as atividades envolvem contexto, responsabilidade e conhecimento do negócio.

Essa transformação já está influenciando a maneira como empresas pensam em qualificação. O Plano Brasileiro de IA inclui formação tecnológica, capacitação para uso de ferramentas e programas de requalificação justamente porque a mudança não depende apenas da criação de especialistas capazes de desenvolver modelos. Uma parcela crescente dos trabalhadores também precisará aprender a trabalhar com sistemas de inteligência artificial em suas próprias áreas.

Isso pode favorecer profissionais que combinam conhecimento específico com domínio de ferramentas digitais. Um contador que saiba utilizar IA para organizar documentos e analisar informações, por exemplo, pode ganhar produtividade sem deixar de exercer atividades que exigem julgamento profissional. O mesmo raciocínio pode ser aplicado a áreas como marketing, engenharia, educação, administração, logística e atendimento.

Para consumidores, a consequência pode aparecer de forma gradual. Empresas mais eficientes podem oferecer serviços mais rápidos e personalizados, enquanto aplicativos e plataformas digitais passam a utilizar IA para prever necessidades, responder perguntas e automatizar etapas de atendimento. Entretanto, consumidores também terão de lidar com novos desafios, como decisões automatizadas, uso de dados pessoais e necessidade de verificar informações produzidas por sistemas generativos.

O cenário dos próximos anos, portanto, tende a ser marcado menos por uma simples disputa entre humanos e máquinas e mais por uma reorganização da economia em torno de pessoas que sabem utilizar tecnologia de maneira produtiva. A vantagem competitiva poderá estar na capacidade de combinar dados, infraestrutura, conhecimento humano e inteligência artificial.

O avanço da IA também aumenta a importância da infraestrutura digital. Grandes modelos dependem de centros de processamento, energia, conectividade e capacidade computacional. Investimentos recentes de empresas globais mostram a dimensão dessa corrida. Um projeto de data center de US$ 15 bilhões anunciado para a Índia, por exemplo, evidencia como a expansão da inteligência artificial está ligada diretamente à construção de uma infraestrutura física cada vez maior.

Para o Brasil e outras economias emergentes, a oportunidade está em participar dessa transformação não apenas como consumidores de ferramentas desenvolvidas no exterior, mas também como produtores de soluções, profissionais e negócios digitais. Isso exige investimento em educação, infraestrutura, segurança e inovação. Se essas condições avançarem, a inteligência artificial poderá contribuir para aumentar a produtividade de empresas, criar novas atividades econômicas e acelerar a digitalização. O principal desafio será transformar o entusiasmo com a tecnologia em resultados sustentáveis, evitando investimentos sem propósito e preparando trabalhadores para um mercado no qual saber utilizar IA tende a se tornar cada vez mais importante.

Fontes:

Banco Mundial — World Development Report 2026: Decoding AI

Banco Mundial — Digital Progress and Trends Report: Strengthening AI Foundations

Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação — Plano Brasileiro de Inteligência Artificial —

Plano Brasileiro de Inteligência Artificial — documento oficial em PDF —

PwC — How leading companies generate ROI from AI —

Reuters — AI offers lifeline to emerging economies, World Bank says —

Reuters — Google’s $15 billion India data centre project

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