Estudo mapeou mais de 4 mil casos de fraude com IA e revela como golpistas exploram rostos conhecidos para enganar vítimas
A fama de uma celebridade também virou moeda de troca para criminosos digitais. Um levantamento da corretora online BrokerChooser mapeou mais de 4 mil incidentes históricos de fraude ligada à inteligência artificial para identificar quais figuras públicas são mais usadas por golpistas na criação de vídeos e imagens falsas.
Quem lidera o ranking dos mais “deepfakados”
No topo da lista está uma figura política, não um artista. O ex-presidente americano Donald Trump aparece em 19,58% de todos os casos de fraude com deepfake reportados, o equivalente a quase um em cada cinco registros analisados pelo estudo. Logo atrás vem o bilionário Elon Musk, presente em 10,49% dos casos, tipicamente explorado em golpes que promovem criptomoedas falsas e plataformas de investimento fraudulentas. Completam o topo do ranking o ator Brad Pitt, com 3,26% dos registros, e a cantora Taylor Swift, com 3,03%.
Por que rostos famosos funcionam tão bem em golpes
A explicação para essa concentração em nomes conhecidos está ligada a um mecanismo psicológico simples. Segundo Ádám Nasli, analista-chefe da BrokerChooser, as pessoas tendem naturalmente a confiar mais em um rosto familiar, o que torna a chamada “isca de celebridade” uma tática particularmente eficaz para golpistas. Ao se passar por figuras conhecidas, os criminosos conseguem explorar essa confiança em larga escala, muitas vezes com pouquíssimo esforço de produção.
Independentemente de qual celebridade é usada como isca, a engrenagem por trás da fraude costuma seguir um padrão parecido. Uma parcela significativa dos deepfakes de celebridades mapeados pela pesquisa direciona as vítimas para um destino semelhante: uma falsa plataforma de investimento ou um esquema envolvendo criptomoedas, estrutura que se repete independentemente do rosto usado como chamariz na fraude.
Os números levantados pelo estudo dão a dimensão do problema. Os casos de deepfake reportados cresceram 982,14% em 2025 na comparação com o ano anterior, resultando em um prejuízo global estimado em 1,13 bilhão de dólares. Em um dos casos mais graves identificados pela pesquisa, uma única vítima chegou a perder 850 mil dólares em um golpe estruturado a partir de conteúdo sintético.
Diante da escala do fenômeno, algumas das figuras mais visadas já adotaram medidas de proteção. Taylor Swift, por exemplo, tomou a iniciativa de registrar sua voz e sua imagem como marca, numa tentativa de dar respaldo jurídico para agir contra o uso não autorizado de sua identidade em conteúdos gerados por inteligência artificial.
O que o público pode fazer para se proteger
Para quem se depara com conteúdo suspeito envolvendo celebridades, especialistas recomendam atenção a sinais visuais que costumam denunciar produção artificial, como piscadas pouco naturais, expressões faciais estranhas, movimentos incomuns de mandíbula e lábios levemente dessincronizados da fala. A recomendação vale especialmente para conteúdos que associam o nome de uma celebridade a oportunidades de investimento, já que empresas legítimas do setor financeiro precisam operar dentro de marcos regulatórios claros, o que raramente é respeitado por esse tipo de golpe.
Com o avanço das ferramentas de geração de vídeo e voz por inteligência artificial, a tendência é que o uso de celebridades como isca em fraudes digitais continue crescendo, o que reforça a importância de checar a fonte de qualquer conteúdo antes de acreditar ou agir a partir dele.
Fontes:
https://www.cheatsheet.com/news/public-figures-deepfake-frauds.html/https://www.atvtoday.co.uk/287102-online-advice/https://cw33.com/news/top-10-most-ai-celebrities-revealed-heres-how-to-spot-them/https://www.propertycasualty360.com/2026/07/31/who-are-the-most-deepfaked-celebrities-in-2026/

