O Brasil registrou 1.581 transações de fusões e aquisições em 2025, número praticamente igual ao de 2024, segundo a KPMG. Para Marcio Alaor de Araujo, executivo do mercado financeiro, o volume mostra que compra e venda de empresas é uma realidade constante, mas o valuation não deve ser lembrado apenas nessas ocasiões. Saber quanto vale o negócio orienta decisões de sucessão, entrada de sócios e captação de recursos.
O que o valuation mede
O valuation é a estimativa do valor econômico de uma empresa. Diferentemente do valor contábil, que reflete o patrimônio registrado no balanço, o valuation considera a capacidade do negócio de gerar resultados no futuro. Duas empresas com patrimônio semelhante podem ter valores muito diferentes, dependendo de suas perspectivas de crescimento e de seus riscos.
O cálculo não produz um número exato, mas uma faixa de valores baseada em premissas. Projeções de receita, margens, investimentos, taxa de desconto e cenário econômico influenciam o resultado. Por isso, entender as premissas é tão importante quanto conhecer o valor final apresentado no relatório, já que pequenas mudanças nas premissas podem alterar o resultado de forma significativa.
Os principais métodos
O método mais utilizado é o fluxo de caixa descontado, que projeta os resultados futuros da empresa e os traz a valor presente por meio de uma taxa que reflete o risco do negócio. É um método detalhado, que exige projeções consistentes e permite analisar como diferentes cenários afetam o valor.
Conforme detalha Marcio Alaor de Araujo, o método de múltiplos complementa a análise ao comparar a empresa com negócios semelhantes negociados no mercado, usando indicadores como o Lajida (Ebitda), que mede o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Os múltiplos refletem o humor do mercado em determinado momento e ajudam a verificar se as projeções fazem sentido.

Valuation na sucessão e na entrada de sócios
Em processos de sucessão empresarial, o valuation ajuda a dividir de forma justa a participação entre herdeiros, especialmente quando alguns atuam na gestão e outros não. Também orienta acordos de saída de sócios, compra de participações e definição de regras para situações futuras previstas em acordos societários.
Na entrada de novos sócios ou investidores, conhecer o valor da empresa fortalece a posição na negociação. Empresários que nunca avaliaram o próprio negócio tendem a superestimar ou subestimar seu valor, o que pode afastar investidores ou resultar em diluição excessiva da participação dos fundadores.
O que aumenta o valor de uma empresa
Algumas características elevam o valor de um negócio de forma consistente. Receitas recorrentes e diversificadas, margens estáveis, baixa dependência de poucos clientes, gestão profissional e informações financeiras confiáveis reduzem o risco percebido pelos compradores e investidores e, consequentemente, aumentam o valor.
Como reforça Marcio Alaor de Araujo, a governança tem peso relevante nessa conta. Empresas excessivamente dependentes do fundador, com contabilidade pouco organizada ou com passivos ocultos sofrem descontos significativos nas negociações. Organizar a gestão anos antes de uma eventual transação é uma das formas mais eficazes de aumentar o valor do negócio.
Valuation como ferramenta de gestão
Realizar o valuation periodicamente, e não apenas diante de uma transação, transforma o cálculo em ferramenta estratégica. Acompanhar a evolução do valor ao longo dos anos permite avaliar se as decisões da gestão estão de fato criando riqueza para os sócios ou apenas aumentando o faturamento sem melhorar a rentabilidade e a solidez do negócio.
Na avaliação de Marcio Alaor de Araujo, o valuation ajuda a priorizar investimentos, comparar alternativas de crescimento e preparar a empresa para oportunidades no mercado de capitais. Empresários que conhecem os fatores que determinam o valor de seu negócio tomam decisões mais conscientes e chegam mais preparados a qualquer negociação.
