A água é um insumo indispensável no processo de beneficiamento de rochas. Diohn do Prado, diretor administrativo, enfatiza que ela está presente em todas as etapas do processo, desde o corte do bloco até o polimento da chapa, resfriamento das ferramentas diamantadas, contenção da poeira e remoção das partículas geradas.
Essa água saía das indústrias carregada de pó de rocha e era descartada em lagoas ou, em casos irregulares, em cursos d’água, com risco de assoreamento e turbidez. A pressão do licenciamento ambiental, o custo da captação e a escassez hídrica mudaram esse cenário.
Hoje, sistemas de circuito fechado permitem tratar e reutilizar a maior parte da água consumida. Entenda como essas tecnologias funcionam e por que elas importam para quem especifica pedras naturais.
Por que o beneficiamento consome tanta água?
A etapa de corte é a que demanda mais tempo e recursos. Nos teares multifio, a água resfria os fios diamantados e remove as partículas da região de corte, evitando o superaquecimento e o desgaste prematuro das ferramentas. O mesmo se aplica a serras de ponte, centros de usinagem e equipamentos de jato d’água, que também dependem de fluxo constante.
No polimento, a água é fundamental para a manutenção da limpeza dos abrasivos e para evitar o acúmulo de pó de rocha na superfície. Diohn do Prado explica que a qualidade da água recirculada influencia diretamente esse resultado, já que partículas em suspensão em excesso podem riscar a chapa e comprometer a uniformidade do brilho.
O efluente gerado é, em essência, uma mistura de água com finos minerais da própria rocha, às vezes acrescida de resíduos de abrasivos e resinas. Ainda que não detenha a carga orgânica de um esgoto, é imprescindível que seja submetido a um tratamento adequado, a fim de evitar a contaminação física de solos e corpos d’água.
Como funciona um circuito fechado de filtragem?
Um circuito fechado é responsável por devolver ao processo a água utilizada nas máquinas, após a separação dos sólidos. Diohn do Prado esclarece que a eficiência do sistema depende da integração entre as etapas, descritas a seguir:
- Captação do efluente: canaletas sob as máquinas conduzem a água com resíduos para um reservatório, evitando que ela se espalhe pelo piso da fábrica.
- Floculação: produtos floculantes, geralmente polímeros, fazem as partículas finas se agruparem em flocos maiores, que afundam com mais rapidez.
- Decantação: em tanques ou decantadores verticais, os flocos se depositam no fundo enquanto a água clarificada sobe e é coletada na parte superior.
- Filtro-prensa: a lama concentrada no fundo é bombeada para placas filtrantes que a comprimem, retirando a maior parte da umidade e formando tortas sólidas.
- Retorno ao processo: a água clarificada, somada à recuperada no filtro-prensa, volta para os teares, serras e polidoras, fechando o ciclo.

Como parte do processo, a água evapora ou permanece na lama e nas chapas, sendo necessário um novo aporte em volume muito inferior ao de um processo aberto. O monitoramento contínuo da turbidez e do pH indica quando é preciso ajustar a dosagem de floculante ou realizar a manutenção dos equipamentos.
Ganhos ambientais, econômicos e de qualidade
O primeiro efeito observado é a redução da captação. Segundo o especialista Diohn do Prado, a recirculação reduz a dependência da indústria de poços, rios e redes públicas, contribuindo para a preservação dos recursos hídricos locais e para a redução dos custos com água e tratamento de efluentes.
A lama compactada também é destinada a outro uso. Em vez de ocupar lagoas a céu aberto, as tortas do filtro-prensa podem ser armazenadas com segurança e encaminhadas para a fabricação de argamassas, blocos e peças cerâmicas, reduzindo a área ocupada por resíduos.
Além disso, Diohn do Prado realça que o controle da água é fundamental para a qualidade do produto final, pois uma água bem clarificada garante a regularidade do corte e do polimento, reduzindo o retrabalho nas chapas. A espessura e o brilho homogêneo das chapas facilitam o corte e a montagem das peças.
A adoção desses sistemas também pesa no licenciamento ambiental e na relação com clientes que exigem rastreabilidade. Em projetos com certificações de sustentabilidade, a informação sobre a gestão hídrica do fornecedor pode entrar como critério de escolha.
Água limpa como parte do valor da pedra
Conforme demonstrado pelos circuitos fechados, é plenamente factível a manutenção de um processo intensivo em água, com um impacto extremamente reduzido. Os processos de floculação, decantação e filtragem são fundamentais para a transformação de um efluente carregado de pó em água reutilizável e em resíduo sólido, com destino definido.
Ademais, Diohn do Prado aponta que a gestão da água tende a se tornar um fator cada vez mais relevante na avaliação dos fornecedores, juntamente com a procedência e a qualidade da chapa, à medida que arquitetos e consumidores passam a considerar a cadeia completa do material.
Com a irregularidade crescente das chuvas e a fiscalização mais rigorosa, espera-se que o reuso se consolide como uma condição básica para o funcionamento das indústrias de rochas, e não como uma característica restrita a algumas empresas do setor.
