Mesmo com menor adesão, home office deve continuar em 2021

Com o isolamento social imposto pela pandemia da Covid-19, o home office foi a forma de trabalho encontrada por diversas empresas no ano passado para manter as rotinas de trabalho. Segundo o IBGE, 13% da população ocupada estava trabalhando de casa em maio do ano passado, contra 90% em novembro. Agora, embora esse número tenha encolhido nos últimos meses, a estimativa é que o trabalho remoto também seja uma tendência de 2021. Funcionário de uma seguradora, Diego Mota está há quase um ano fazendo home office. Ele conta que se adaptou rapidamente ao teletrabalho e não tem previsão para o retorno presencial. “Acho que a gente acaba sendo mais dono do nosso tempo, consegue produzir mais e muitas vezes melhor porque não tem a quantidade de gente que vem até a mesa conversar e acaba atrapalhando um pouco. Em questão de produtividade, eu melhorei muito trabalhando de home office”, conta.

No entanto, essa não é a mesma realidade da Jimene Melito, que é diretora pedagógica de uma escola em São Paulo. Ela conta que foi difícil conciliar os papéis de profissional e de mãe. “Foi muito desafiador como profissional da área da educação, encontrar maneiras de envolver os alunos à distância. E no meu caso, que trabalho com gestão de motivar equipe de professores e ao mesmo tempo dar conta da minha casa, dos meus filhos”, relata. No início da pandemia, o home office precisou ser forçado e, muitas vezes, improvisado. Agora, quase um ano depois, as empresas devem conseguir encontrar um equilíbrio entre o trabalho remoto e o presencial, avalia o presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos, Paulo Sardinha. “O que teremos daqui para frente é melhor planejamento que passa pelas condições que as pessoas têm em suas casas para que possam trabalhar em home office, para adaptação do funcionário que vai ficar em home office”, comenta. No geral, o número de brasileiros trabalhando de casa poderia ser ainda maior. Segundo uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 22% das profissões brasileiras podem ser exercidas de forma remota. Isso elevaria para 20 milhões o contingente de pessoas exercendo o teletrabalho.

*Com informações da repórter Nicole Fusco