Sob protocolos rígidos, Fuvest tem temas atuais e assusta candidatos

Com o sonho de estudar Economia, a Karoline Kafer encarou o tempo chuvoso em São Paulo para fazer a 1ª fase da Fuvest. A estudante de 19 anos se assustou ao ver o nível de dificuldade da prova. “Eu achei a Fuvest bem difícil, não achei fácil. Estudei em escola pública a vida inteira, então já tive uma defasagem muito grande. Tive que fazer cursinho e na pandemia ficou muito complicada. Senti as questões mais complicadas esse ano. Nem todos os alunos tiveram acesso a internet, bons livros de cursinho. Acaba favorecendo uns mais e outros menos.” O exame abordou temas como a rede social Tik Tok e o game Among Us, popular durante a pandemia. Assuntos como acordos comerciais e saúde pública também foram cobrados, mas o coronavírus foi pouco mencionado. Para os candidatos, as perguntas de Física e Química foram as mais difíceis.

Já o coordenador do Curso Anglo, Daniel Perry, disse que as questões de Português eram bastante complexas. “A Fuvest mudou bastante o estilo da prova de Português. Tinha larga tradição de cobrar mais análise de textual e esse ano foi cobrada função sintática. Isso não é comum, comparando com anos anteriores.” Com menos alunos dentro das salas, a Fuvest disse que não houve problemas em relação aos protocolos de prevenção à Covid-19. A Mariana Toledo ainda é treineira. “Eu achei que o distanciamento estava muito bom, eu não me senti insegura em nenhum momento. Acho que foi tudo bem.” Foram 17.210 abstenções — 13,2% em relação ao total de candidatos inscritos. O número é maior que em 2019. Cerca de 130 mil estudantes estão disputando mais de oito mil vagas na Universidade de São Paulo. Os aprovados na primeira fase farão a segunda etapa, que cobra conteúdos específicos, nos dias 21 e 22 de fevereiro.

*Com informações da repórter Letícia Santini