Pandemia muda dinâmica de atendimento a refugiados no Brasil

O venezuelano Juan José, de 37 anos, chegou ao Brasil em 2018 buscando uma nova vida. “Eu acho que o Brasil é um país de oportunidades. Estou conseguindo oportunidades aqui, então, por enquanto, vou ficar”, conta o designer gráfico. A “Missão Paz” faz o trabalho de apoio e acolhimento aos refugiados na cidade São Paulo, oferecendo abrigo, atendimento médico e psicológico, curso de idiomas e apoio jurídico aos imigrantes. O coordenador do trabalho, padre Paolo Parise, diz que a instituição já auxiliou centenas de estrangeiros no país. “Em 2020, nós conseguimos ajudar na documentação quase 4 mil pessoas. Então a gente prepara toda a documentação para eles levarem na Polícia Federal”, conta. 

Entre janeiro e novembro de 2020, mais de 18 mil venezuelanos foram interiorizados no Brasil. Segundo Maria Beatriz Nogueira, chefe do escritório do Acunur de São Paulo, em um ano de pandemia, o desafio foi grande e as estratégias para receber e integrar essa população foram adaptadas. “A criação de protocolos de segurança e prevenção das viagens, desde a saída até o destino, os cursos de capacitação e aulas de português passaram a ter um forte componente online e a intermediação para as oportunidade de emprego também tiverem esse componente virtual.”

Ainda segundo Nogueira, os principais destinos dos venezuelanos no Brasil são as regiões Sul e Sudeste. “Principalmente por três fatores: primeiro que nestas regiões as organizações têm maior experiência com a população refugiada e são espaços seguros conhecidos. O segundo fator é que as pessoas percebem essas regiões mais densamente populosas como locais de mais oportunidades de trabalho e terceiro ponto é que muitas pessoas já têm conhecidos nestas áreas e se sentem mais seguras para seguir viagem”, relata. O Brasil é o sexto maior anfitrião de venezuelanos deslocados no mundo. Desde 2018, mais de 45 mil venezuelanos foram interiorizados de Roraima para mais de 600 municípios de 26 estados e para o Distrito Federal.

*Com informações da repórter Catherina Achutti