Moradores se mobilizam contra derrubada de área preservada em São Paulo

José Paiano, de 86 anos, foi um dos primeiros moradores do bairro Alto da Boa Vista, zona sul de São Paulo. Há 50 anos, as ruas eram de barro e  a vegetação nativa tomava conta da região. Hoje, o Jardim Alfomares é um dos poucos locais com Mata Atlântica preservada. No entanto, para a tristeza de José Paiano, o espaço pode dar lugar a um condomínio de casas. “Isso aí não está certo, está errado. Mas o que a gente vai fazer? A gente é trunfo pequeno, quer dizer, eles chegaram e quiseram fazer um cemitério grego, alguém falou que não pode porque tem o aquífero Guarani. Aí quiseram fazer um condomínio de alto padrão e um promotor embargou. Agora vão fazer o que der, a gente não sabe o que vai acontecer”, conta. A esposa de José, dona Valderez Paiano, se lembra com carinho de quando trazia seus filhos para caminhar no Jardim Alfomares. “Passeei com meu filho ainda bebezinho pelas alamedas com as estátuas, era muito bonito, muito verde e tinham muitos animais. Então é uma judiação que todo esse arvoredo, todas essas espécies venham abaixo para se construir um condomínio.”

A Jovem Pan teve acesso a uma das entradas do parque, nela já fica evidente os sinais do desmatamento. Galhos espelhados, árvores caídas e as árvores que ainda não foram derrubadas já estão marcadas e etiquetadas. A obra tem autorização da prefeitura. Mas, existe um impasse. Já que em 2008, o Ministério Público entrou com uma ação para a preservação do espaço de 60 mil metros quadrados e o processo ainda não foi julgado no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os moradores do bairro protestaram, eles pedem que nenhuma árvore seja derrubada até a decisão judicial, como explica o presidente da associação dos amigos do bairro Alto da Boa Vista Guilherme Rodrigues Alves. “No Supremo avalia como é a lisura de todo esse processo e é isso que a gente quer, que analise essa situação, analise o parecer técnico do MPF e reverta e suspenda o que já foi liberado, porque se ainda tem a questão no Supremo como pode ser liberado para fazer o manejo. Se não der certo, como cola árvore e ressuscita os bichos? Isso não faz  sentido”, afirma. Enquanto isso, resta a esperança para que as próximas gerações possam conviver melhor com a natureza.

*Com informações do repórter Victor Moraes