PF apreende dinheiro e material de candidatas ligadas a milicianos no Rio

A Polícia Federal (PF) apreendeu dinheiro e material de campanha de candidatas nas eleições municipais no Rio de Janeiro ligadas aos fundadores da milícia Liga da Justiça, durante a Operação Sólon, deflagrada nesta quinta-feira, 12. Entre os 12 mandados de busca e apreensão, estão endereços dos irmãos José Guimarães Natalino e Jerônimo Guimarães Filho, apontados como fundadores da principal milícia do Estado. Os dois não são candidatos, mas Carminha Jerominho, filha de Jerônimo, disputa uma vaga na Câmara dos Vereadores pelo Partido da Mulher Brasileira (PMB), enquanto a sua prima, Jéssica Natalino, é vice na chapa que concorre à Prefeitura do Rio pelo mesmo partido. A ação investiga a suspeita de prática de lavagem de dinheiro relacionada a crimes eleitorais.

Os mandados foram expedidos pela 16ª Zona Eleitoral para buscas em residências, comitês de campanhas e empresas ligadas aos envolvidos. Não houve pedidos de prisão, já que a legislação eleitoral proíbe o cumprimento de mandados de prisão de candidatos a menos de 15 dias da eleição e de eleitores a menos de cinco dias do dia de votação, exceto em flagrante de delito. De acordo com informações da Polícia Federal, os fundadores da organização criminosa buscam na política uma forma de retomar o poder que possuíam na Zona Oeste do Rio. Os dois irmãos já foram presos pelo envolvimento no crime organizado.

Relatórios de Inteligência Financeira (Rifs) analisados pelas autoridades apontaram a movimentação financeira atípica em empresas ligadas aos investigados. Segundo informações repassadas pela Polícia Federal, havia suspeita de que os valores eram destinados aos gastos de campanhas eleitorais. A operação foi batizada em homenagem a Sólon, estadista, legislador e poeta grego criador da Eclésia, a Assembléia Popular de Atenas, considerada o berço da democracia. Segundo a Polícia Federal, a ação visa “reafirmar o poder das instituições que garantem a higidez no processo democrático”, diante do “avanço da atuação das organizações criminosas no cenário político”.

 *Com informações do repórter Rodrigo Viga