Gastos com pensões e inativos consomem orçamento da Defesa, diz levantamento

O assunto sobre a situação das Forças Armadas brasileiras está em alta após as declarações do presidente da República, Jair Bolsonaro, sobre o uso de “pólvora”. “Assistimos há pouco um grande candidato à chefia de estado dizer que se não apagar o fogo da Amazônia, vai levantar barreira comercial contra o Brasil. Apenas diplomacia não dá. Quando acabar a saliva, tem que ter pólvora, senão não funciona. Precisa nem usar a pólvora, mas tem que saber que tem. Esse é o mundo”, disse Bolsonaro, comentando, sem citar nomes, possíveis sanções econômicas a serem impostas pelo novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ao Brasil pela questão ambiental da Amazônia.

No entanto, muito embora o Ministério da Defesa tenha ganhado certo espaço no orçamento público, os investimentos não ultrapassam, por exemplo, os gastos com pensionistas e servidores inativos. Um levantamento divulgado pela Folha de São Paulo com dados do ministério da Economia e da Instituição Fiscal Independente, ligada ao Senado Federal, mostram que o investimento da pasta no ano passado chegou a R$ 12,8 bilhões. Do outro lado, pensionistas custaram R$ 23,8 bilhões e servidores inativos chegaram ao custo de R$ 26 bilhões. Outros R$ 28,6 bilhões são pagos os militares em atividade.

O orçamento total do Ministério da Defesa, em 2019, foi de R$ 116 bilhões. Na área de investimentos, houve a aquisição de helicópteros, investimentos na estatal Emgepron, empresa gerencial de projetos navais, no projeto de compra de caças e no sistema de monitoramento de fronteiras. De acordo com o Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo, o Brasil ocupa a 77ª colocação em gastos militares no mundo. O balanço do IISS, instituto especializado na área militar, apontou que, enquanto o país gasta US$ 27,5 bilhões em defesa, os Estados Unidos chegam a US$ 684,6 bilhões — praticamente 24 vezes mais. Mesmo se houver comparação com países menores, como a França por exemplo, o Brasil fica atrás em equipamentos, como submarinos, navios e satélites de monitoramento.

*Com informações do repórter Fernando Martins