Gorinchteyn acredita em retomada dos testes da CoronaVac nas próximas horas

O secretário da Saúde do Estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, acredita que os estudos da CoronaVac, potencial vacina contra Covid-19 do Instituto Butantan e do laboratório chinês Sinovac, possam ser retomados ainda nesta quarta (11). De acordo com ele, na terça (10) pela manhã, aconteceu uma reunião entre técnicos do Butantan, da Anvisa e do Centro de Pesquisas envolvido no evento que motivou a paralisação dos testes. As expectativas são de que a nova minuta redigida ontem seja determinante para a liberação nas próximas horas. Entretanto, ele acredita que aconteceu uma falha de comunicação — e não discussões em outros âmbitos.

Na última segunda-feira (9), a Anvisa determinou a interrupção dos estudos da CoronaVac após um “evento adverso grave”. O governo estadual admitiu surpresa já que a intercorrência não tinha ligação com a aplicação da potencial vacina — e, de acordo com Gorinchteyn, a agência reguladora já sabia disso desde o dia 6. “Tem que dividir o que é evento adverso e reação adversa. Evento adverso é qualquer situação que aconteça com o voluntário: levantou, caiu da cama, bateu a cabeça. Isso é um evento adverso. Reação adversa é dor, febre, desconforto respiratório”, esclareceu em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan.

No caso da CoronaVac, embora o governo estadual não confirme por questões éticas, as informações são de que o evento adverso foi um óbito investigado como suicídio — sem relação com o imunizante. Para Gorinchteyn, o governo do Estado enviou para a Anvisa informações qualificadas para respaldar a equipe técnica — por isso, não existiriam motivos para a pausa. “Qualquer dúvida, poderia ter sido marcada uma reunião para esclarecer os pontos. E não simplesmente interromper o programa”, disse. Ele destacou: o Brasil já teve mais de 10 mil voluntários para a potencial vacina e, até agora, não teve paralisação por efeito adverso grave.

Segunda onda

De acordo com Jean Gorinchteyn, o não cumprimento das regras relacionadas ao uso de máscaras e distanciamento social pode levantar as possibilidades de um incremento no número de casos, internações e óbitos pela Covid-19. Porém, as curvas dos países europeus — que já enfrentam uma segunda onda — são diferentes daqui. “Eles tiveram ascensão rápida, lockdown e queda. Depois abriram bares, restaurantes, casas noturnas. Aqui tivemos uma elevação lenta, gradual e progressiva. Um número muito alto por semanas, mas que agora estão caindo. Mesmo que tenhamos um incremento, vamos desacelerar a queda ou criar um platô em cifras menores”, explicou.