Morte de voluntário que paralisou estudo da CoronaVac é investigada como suicídio

O voluntário da vacina CoronaVac que morreu na última semana e ocasionou a paralisação dos estudos do imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan na noite desta segunda, 9, não teve morte relacionada à aplicação da vacina. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirmou que o caso é investigado pela 93º Delegacia de Polícia do bairro do Jaguaré como possível suicídio, mas afirmou que mais detalhes não serão divulgados até a conclusão dos laudos técnicos para não atrapalhar as investigações. A informação de que não há ligação entre a morte e a vacina foi confirmada anteriormente por membros do Governo de São Paulo em coletiva de imprensa no início da tarde desta terça, 10. O coordenador do Instituto Butantan, Dimas Covas, lembrou que o termo “efeito adverso grave” traduz algo que não está relacionado ao imunizante. Ele chegou a dar o exemplo de um acidente de trânsito, mas, por sigilo médico, não divulgou a causa da morte do voluntário.

A morte do voluntário fez com que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciasse uma pausa nos estudos do imunizante. Em coletiva de imprensa na manhã desta terça, Dimas Covas, afirmou que o Butantan recebeu um e-mail avisando sobre a suspensão dos testes da vacina vinte minutos antes da informação ser vazada para a imprensa e reforçou a informação de que a morte não tem relação com a aplicação. “Por exemplo, uma pessoa levanta de manhã, é atropelada logo que sai da sua casa e morre. Não estou dizendo que foi esse o caso. Isso é um evento adverso. Tem que ser reportado? Sim, ele é reportado. Um voluntário teve um efeito adverso em um caso grave que foi o óbito, mas um óbito determinado pelo atropelamento pelo acidente, pela causa externa, sem nenhuma relação com a vacina”, explicou, afirmando que a Anvisa tinha à disposição nos estudos a causa da morte do paciente.

O secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, reafirmou que a morte foi causada por efeito alheio e sem relação com a vacina e reforçou a indignação diante da paralisação dos estudos, já que, segundo ele, a Anvisa teve acesso direto à causa da morte no voluntário. “Tranquilizo a todos os voluntários que estão em curso da fase clínica que essa vacina é segura. Estamos a favor da vida, da verdade e da transparência. Não havendo nenhuma disputa por vacina ou por vacinas para quem chega primeiro, nós estamos lutando e preservando a vida”, afirmou. O voluntário recebeu a aplicação da fase 3 da vacina 25 dias antes de morrer. Nas redes sociais, o perfil oficial do presidente Jair Bolsonaro, que travou uma série de discussões com João Doria, governador de São Paulo, sobre o imunizante de tecnologia chinesa, relacionou a morte à administração do imunizante e afirmou “O presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha”.