Após Guedes alertar para risco de ‘hiperinflação’, dólar fecha a R$ 5,39; Bolsa sobe 1,5%

O dólar teve novo dia de volatilidade nesta terça-feira, 10. A moeda americana vem recuperando no exterior parte das perdas pós-vitória de Joe Biden e, com isso, se fortalece ante divisas emergentes. No Brasil, os profissionais das mesas de câmbio comentam que o risco fiscal é um limitador importante para uma valorização mais firme do real. Nesse ambiente, novas declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre avanço das reformas e privatizações agradaram. Porém, o dólar foi as máximas do dia, a R$ 5,41, quando Guedes alertou para o risco da volta rápida da hiperinflação caso não se resolva o problema da dívida interna, classificada como “explosiva” pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que vê chance do dólar ir a R$ 7,00. No fechamento, a moeda à vista encerrou perto da estabilidade (+0,02%), cotada em R$ 5,3930.

No final da tarde, com o mercado à vista já fechado, declarações de Jair Bolsonaro sobre o auxílio emergencial causaram desconforto, quando questionou como ficam os 40 milhões de “invisíveis” que perderam tudo com o fim destas medidas, o que sinaliza sua intenção de continuar com elas. No mercado futuro, o dólar para liquidação em dezembro, que operava praticamente estável, passou a subir, renovando as máximas do dia, e fechou com alta de 0,55%, em R$ 5,4200. O economista da JF Trust Gestão de Recursos, Eduardo Velho, observa que a questão fiscal impõe limite de melhora aos ativos brasileiros. Neste ambiente de incerteza fiscal, que só tende a ficar mais claro após as eleições municipais, o dólar deveria convergir mais para os R$ 5,50 do que para os R$ 5,00 ou abaixo. Ontem, no piso, caiu a R$ 5,22, o que rapidamente atraiu compradores. A JF não espera votações de projetos fiscais este mês. Ao mesmo tempo, persistem as dúvidas sobre como o governo vai financiar seu novo programa social, ressalta Velho. Guedes disse hoje que um novo programa de renda é uma promessa de campanha de Bolsonaro e afirmou ainda que se sente “bastante frustrado” de até agora não ter conseguido privatizar nenhuma empresa.

Bolsa de valores

Já o índice Ibovespa, da B3, fechou esta terça aos 105.067 pontos, com alta de 1,5%. Com ganhos pela sexta sessão seguida, o indicador está no maior nível desde 29 de julho. Somente nos últimos seis pregões, o índice subiu 12,15%. Na máxima da sessão, bateu 105.758 pontos, o que corresponde ao maior nível intradia (dentro de uma sessão) desde 5 de março, antes do início da pandemia da Covid-19. No mercado de câmbio, a moeda norte-americana iniciou o dia em alta, caiu durante a tarde, mas zerou a queda perto do fim das negociações. O dólar comercial encerrou a terça vendido a R$ 5,391, com alta de R$ 0,005 (+0,11%). O Ibovespa seguiu as bolsas internacionais, que continuam influenciadas pela eleição de Joe Biden para a presidência dos Estados Unidos e pelas perspectivas mais positivas em relação a uma vacina contra o coronavírus.

* Com informações do Estadão Conteúdo