Após SPFW, movimento Pretos Na Moda quer ‘revolução liderada pelas baixas categorias’

O principal evento de moda do país, a São Paulo Fashion Week, comemorou 25 anos em uma edição totalmente digital. Mais de 30 marcas apresentaram as coleções entre 4 e 8 de novembro, com exibições em pontos turísticos e edifícios ao redor da cidade. Após reivindicação do movimento Pretos Na Moda, esta foi a primeira edição em que a organização do evento exigiu que 50% dos modelos contratados por cada marca fossem negros, afrodescentes ou indígenas. De acordo com um levantamento feito pela Jovem Pan, apenas duas não cumpriram o combinado: ÀLG e Amir Slama. A assessoria de imprensa da ÀLG afirmou, através de um e-mail, que o desfile estava em conformidade com a regra. A equipe da Amir Slama foi procurada mais ainda não respondeu aos questionamentos. À Jovem Pan, as fundadoras do movimento Pretos na Moda Camila Simões, Natasha Soares e Thayná Santos falaram mais sobre o projeto.

Qual foi o resultado da determinação? As marcas cumpriram o combinado? 

Pretos na Moda: No geral o resultado foi ótimo, podemos dizer que a maioria das marcas cumpriram as determinações com louvor. Quando não colocaram 100% de corpos racializados em seu casting, cumpriram a base estipulado que é os 50%. Claro, houve marcas que não cumpriram ou nos deixou na dúvida se determinados corpos de seu casting eram racializados de fato. Estamos reafirmando as conversas que tivemos antes, assim todos poderão e deverão aplicar os regramentos sem muitas margens para erros. Temos o entendimento de que, independente das novas condições de participação no evento, e em quem essas condições afetam diretamente, vão haver melhorias significativas a cada edição do SPFW.

Quais os planos do PNM para o ano que vem? A definição da cota de 50% deve continuar nas próximas edições da SPFW?  

PNM: Os planos é seguir fazendo alterações dentro do evento e na indústria como um todo, seguindo sempre uma bússola moral e social. Nosso objetivo é a cada temporada poder inserir mais e mais corpos diversos, e oportunizar novos espaços para aqueles que sempre almejaram o evento como lugar de trabalho. Essas mudanças vem com o tempo, pois, se faz necessário linkar todas as categorias profissionais da indústria para que aja mudanças efetivas. É um trabalho de todos, e contamos com todos para que essa utopia se torne realidade! A definição da obrigatoriedade dos 50% de corpos racializados irá continuar, com toda a certeza.

Vocês têm carreiras internacionais. Há planos de levar o movimento e essa ideia de 50% para o exterior?

PNM: Até o momento, não! Existem muitas melhorias a serem feitas aqui no Brasil, vai exigir muito trabalho de todos da indústria, para que não habitemos o lugar de comodismo que sempre foi comum. Moda é cultura, é o povo e expressão. Faz todo sentido a massa exigir seu espaço de direito dentro da indústria. Nosso sonho é que em cada país haja uma revolução de moda liderada pelas baixas categorias, isso seria lindo e histórico!

* Com informações da repórter Nanny Cox