Emissão de gases de efeito estufa cresce 9,6% em 2019

A emissão bruta de gases de efeito estufa cresceu 9,6% em 2019, o primeiro ano do governo do presidente Jair Bolsonaro. É o que mostra o oitavo relatório do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) divulgado na manhã desta sexta-feira, 6, pelo Observatório do Clima, uma coalizão de pelo menos 56 organizações civis do Brasil. O país lançou 2,17 bilhões de toneladas brutas de dióxido de carbono equivalente (tCO2e) ano passado. Foram 1,98 bilhão em 2018. Uma queda na emissão foi observada entre 2004 e 2010. Porém 2019 voltou a registrar a maior quantidade de gases do efeito estufa desde 2005. Segundo o Observatório do Clima, o Brasil não deve cumprir a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) este ano. “No ritmo em que está e com os indicativos de que dispomos, o país não consegue cumprir a meta de 2020 e se afasta da de 2025″, disse Tasso Azevedo, coordenador do SEEG. “Estamos numa contramão perigosa. Desde 2010, ano de regulamentação da lei nacional de clima, o país elevou em 28% a quantidade de gases de efeito estufa que despeja no ar todos os anos, em vez de reduzi-la.”

O aumento é um reflexo do alto desmatamento na Amazônia e do aumento das queimadas no Pantanal. O relatório mostra que a quantidade de emissão de gases de efeito estufa referente as mudanças de uso da terra cresceu 23% em 2019, comparado ao ano anterior. A categoria é responsável por 44% das emissões brasileiras em 2019. Em seguida, vem a agropecuária, fortemente ligada ao rebanho bovino, com 28%. Foram 598,7 milhões de toneladas de CO2 em 2019. A soma da agropecuária e da agricultura mostram que a atividade rural respondeu por 72% das emissões do Brasil no ano passado. “O aumento das emissões não somente impacta nossos compromissos internacionais como ameaça a reputação do nosso agronegócio”, opinou Ane Alencar, diretora de Ciência do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), ao Observatório. Roraima, Rondônia, Mato Grosso, Pará, Acre e Amazonas foram os estados com maior número de emissão per capita. Pernambuco e Distrito Federal registraram os menores.

Os novos resultados colocam o Brasil na sexta posição entre os maiores poluidores climáticos do mundo – subindo para quinto lugar quando se exclui a União Europeia. O país também ultrapassou a média mundial em 2019: cada cidadão brasileiro emitiu 10,4 toneladas brutas de CO2e, ante 7,1 da média mundial. “O país já chega devendo em 2021, ano em que deveria ter início o cumprimento da NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada), nossa meta nacional no Acordo de Paris”, diz Marcio Astrini, secretário-executivo do OC. O Observatório do Clima deve apresentar ainda em 2020 uma proposta de NDC para o Brasil que seja compatível com 1,5o C, de acordo com as circunstâncias nacionais, a população, a responsabilidade histórica e o PIB do país, finaliza o relatório.