AVC entre mais jovens aumenta no Brasil e especialistas alertam para estresse

A enfermeira Regina Batista dos Santos trabalhava em três empregos, mantinha uma alimentação inadequada e tinha uma rotina de muita correria e estresse. Em uma madrugada, 11 anos atrás, ela acordou com fortes dores de cabeça e vômitos — e logo pensou que fosse uma enxaqueca. Aos 36 anos, Regina descobriu que tinha sofrido um Acidente Vascular Cerebral isquêmico.

O quadro é caracterizado pela falta de sangue no cérebro devido a obstrução de uma artéria e, atualmente, corresponde a 85% dos casos de AVC no Brasil. Mais comum em idosos, o problema também afeta pessoa mais novas e pode ser fatal. Foi o caso do ator Tom Veiga, intérprete do Louro José. Aos 47 anos, ele apresentou um quadro de AVC hemorrágico, quando um vaso sanguíneo se rompe dentro do cérebro e há extravasamento de sangue. A neurologista do Hospital da Luz, Evelyn Pacheco, relaciona a incidência de derrame em pacientes abaixo dos 60 anos com quadros de hipertensão. “O AVC hemorrágico é mais grave e evolui com mortalidade muito maior, até 15% dos pacientes falecem antes de chegar ao hospital.”

O Acidente Vascular Cerebral vem crescendo cada vez mais entre os jovens: 10% dos pacientes têm menos de 55 anos. O AVC é a doença que mais mata brasileiros e metade dos que sobrevivem ficam dependentes de outras pessoas. Depois de passar três meses com o lado esquerdo paralisado, a enfermeira Regina dos Santos conta que passou a valorizar pequenas coisas. “Poder virar na cama quando você vai dormir, tomar banho, ir no banheiro sozinha. Quando você passa para o outro lado e vive essa experiência de não poder fazer, você passa a olhar para a vida de uma outra forma.”

Os sintomas do AVC são repentinos e incluem formigamento na face, braço, perna, confusão, alteração na fala, no equilíbrio e dores de cabeça intensas. Assim que houver o aparecimento dos sintomas, o paciente deve ser levado ao hospital em menos de cinco horas — reduzindo o risco de sequelas e até morte. Segundo especialistas, 80% dos casos de derrame poderiam ser evitados através do controle de fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol e levando uma vida saudável.

*Com informações da repórter Nanny Cox