Mourão admite que é preciso apresentar ‘melhores resultados’ no combate ao desmatamento

“O governo está agindo. Agora, precisa apresentar melhores resultados. Isso é uma realidade”, declarou Mourão, após encontro realizado na tarde desta sexta-feira, 23, no Itamaraty. No evento, o vice-presidente recebeu embaixadores que assinaram, em setembro, a carta da Parceria das Declarações de Amsterdã, formada por Alemanha, Dinamarca, França, Itália, Holanda Noruega e Reino Unido, além da Bélgica, que não faz parte do grupo. A declaração de Mourão veio um dia depois do presidente Jair Bolsonaro dizer que diplomatas estrangeiros não vão encontrar “nada queimando ou sequer um hectare de selva devastada” na Amazônia. Para o vice-presidente, o governo federal ainda tem muito o que fazer e apresentar, efetivamente, medidas de proteção ao meio ambiente.

O ministro Ernesto Araújo, de Relações Exteriores, e a ministra Tereza Cristina da Agricultura, participaram do encontro, para apresentar medidas que o governo tem tomado no combate ao desmatamento na Amazônia. Na conversa, diz Mourão, não foi apresentado nenhum pedido específico pelos países. Houve apenas uma exposição de informações pelo governo. “Não pediram nada. Apenas mostramos o que estamos fazendo. Qual é a visão? Como é muito pouca coisa publicada a respeito, parece que está todo mundo do governo de braço cruzado, em relação ao que está acontecendo lá”, afirmou Mourão, referindo-se à devastação da floresta.

O vice-presidente, que comanda o Conselho Nacional da Amazônia, um comando militar que atua na floresta, disse que o Brasil persegue a meta de reduzir o desmatamento atual para menos da metade da área degradada, até 2023, chegando a cerca de 4 mil km². “Seriam aqueles números melhores que nós tivemos na década passada. Temos que fazer o impossível para que isso aconteça”, comentou.  Entre os dias 4 e 6 de novembro, está prevista uma viagem com os embaixadores por áreas do Pará e Amazonas, com sobrevoo em regiões protegidas e desmatadas.

Na carta enviada em setembro o general Hamilton Mourão, os oito países europeus afirmaram que a disparada do desmatamento no Brasil dificulta a compra de produtos brasileiros por consumidores do continente. “Enquanto os esforços europeus buscam cadeias de suprimentos não vinculadas ao desflorestamento, a atual tendência crescente de desflorestamento no Brasil está tornando cada vez mais difícil para empresas e investidores atender a seus critérios ambientais, sociais e de governança”, afirmaram, na ocasião.

Queimadas

Os focos de queimadas registrados na Amazônia, neste ano, superou todas as ocorrências dos 12 meses de 2019. Apesar de ainda faltarem 70 dias para o ano terminar, o bioma já sofreu, entre 1º de janeiro e esta quinta-feira, 22, com 89.604 focos. Em todo o ano passado, foram 89.176, de acordo com registros do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Nos 22 dias de outubro, o total de pontos de incêndio, 13.574, já é 73% superior ao observado nos 31 dias deste mesmo mês em 2019. É também a maior taxa para outubro desde 2017.

As queimadas vêm avançando pela floresta, assim como pelo Pantanal, já há alguns meses. Em setembro, a Amazônia já tinha tido 60% mais focos que no mesmo mês do ano passado, fechando como o segundo pior setembro da década. No Pantanal, o total de queimadas, neste ano, já é mais que o dobro do observado em todo o ano passado no bioma. Este é, de longe, o pior cenário desde o início dos registros, em 1998. E o Cerrado também começou a queimar mais agora em outubro, já superando em 52% os focos dos 31 dias de outubro de 2019.

* Com Estadão Conteúdo