PF: Grilagem e extração ilegal de madeira são as principais causas do desmatamento na Amazônia

Em meio a um amplo debate internacional sobre a preservação da Amazônia brasileira, o superintendente da Polícia Federal no Amazonas, delegado Alexandre Saraiva afirmou, nesta quinta-feira, 22, que as principais do desmatamento na região amazônica são atos de grilagem de terra e extração ilegal de maneira, e não a agropecuária. A declaração em evento promovido pelo BNDES sobre meio ambiente. Para o delegado da Polícia Federal, a cobrança que existem em torno da produção agropecuária é cercada de oportunismo e é preciso “pisar no barro” para conhecer de perto a realidade da região amazônica.

Há mais de 10 anos atuando nesta região e com experiência em Roraima, o Alexandre Saraiva afirmou ainda que a destruição da Amazônia tem como mola mestre o tráfico internacional, que é apoiado por uma organização criminosa com tentáculos na sociedade e no serviço público brasileiro. Ele argumentou ainda que muitos pesquisadores que estudam a Amazônia cometem erros porque não vão a campo, não vão conhecer situação de perto e se baseiam em documentos das secretarias ambientais regionais que, por sua vez, acabam sendo fraudados por grileiros que obtém licença para uso do solo, mas que buscam, na realidade, possuir a terra, derrubar árvores, extrair ilegalmente madeira e deixar um rastro enorme de destruição.

“Não existe essa relação positiva entre desmatamento e aumento da produção agropecuária ou agrícola. É só para fazer essa distinção de quem é o produtor rural e quem é um madeireiro ilegal, um criminoso, que deve ser combatido com rigor”, explica. O superintendente citou como exemplo dessa teoria a cidade amazonense de Apuí, considerada a campeã estadual de desmatamento. Apesar da devastação ser exponencial, dados do IBGE, citados por Alexandre Saraiva, apontam que o rebanho bovino se manteve estável no município ao longo dos últimos 10 anos.

*Com informações do repórter Rodrigo Viga