O polêmico sistema de inteligência artificial usado em entrevistas de emprego

A entrevista de emprego por videoconferência é comum nos dias de hoje, mas uma empresa caminha para torná-las mais “solitárias”. Com uso de inteligência artificial, a HireVue entrevista milhares de candidatos sem a necessidade de recrutadores humanos. O sistema avalia uso de palavras, expressões faciais e tom de voz para atribuir uma nota a cada entrevistado.

Unilever, Hilton e Goldman Sachs já usam sistemas de IA para recrutamento. No entanto, a validade do sistema está longe de ser unanimidade até mesmo entre membros da comunidade de pesquisa de IA.

“É profundamente perturbador haver uma tecnologia patenteada que se diz capaz de diferenciar um trabalhador produtivo de outro que não se encaixa, baseada em movimentos faciais, tom de voz e maneirismos,” disse Meredith Whittaker, co-fundadora do instituto de pesquisa AI Now, ao Washington Post.

“É pseudociência. Uma licença para discriminar,” afirma Meredith. “As pessoas cujas vidas e oportunidades estão literalmente sendo moldadas por esses sistemas não têm nenhuma chance de opinar.”

A HireVue discorda de seus críticos. A empresa afirma que o uso de IA serve como ferramenta para facilitar o trabalho de seus clientes na hora de recrutar talento. A Unilever, por exemplo, diz ter economizado centenas de milhares de horas de trabalho e US$1 milhão com a HireVue.

“Pessoas são rejeitadas o tempo todo com base nos sapatos que usam, em quão bonitos são,” disse Loren Larson, executivo-chefe de tecnologia da HireVue, ao Washington Post. “Algoritmos eliminam isso de uma maneira que não era possível antes.”

Segundo Larson, independente de quem faça o recrutamento, “entre 1000 candidatos, 999 serão eliminados.”

Os candidatos não recebem feedback após a entrevista, muito menos são informados da nota que receberam. A HireVue não divulga seus métodos de treinamento da IA.

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Richard Feloni, do site BusinessInsider, testou o sistema em 2017 e afirmou que não é tão “medonho” quanto parece.

“A ideia é que a IA ajude a destacar os melhores candidatos para que recrutadores possam dedicar seu tempo aos candidatos mais promissores,” escreveu. “Isso fez a tecnologia parecer muito mais prática para mim.”

No entanto, Feloni também destacou que a imparcialidade pode não ser erradicada com a automatização. A IA aprende, afinal, com recrutadores humanos que a alimentam com dados e preferências.

Em setembro deste ano, o Carlyle Group anunciou que se tornaria o investidor majoritário da HireVue. Valores não foram divulgados.

A discussão ética ao redor do sistema continua. Porém com novos investimentos e cada vez mais empresas utilizando o HireVue, a entrevista de emprego automatizada não irá embora tão cedo.

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