Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta segunda-feira

O Ibovespa fechou a sessão de sexta-feira com alta de 1,98%, a 103.834 pontos, em meio ao anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, de que o país havia chegado a uma primeira fase de um substancial acordo com a China. Dessa forma, a bolsa brasileira ganhou o impulso tão aguardado e terminou a última semana com uma alta acumulada de 1,25%.

Entre os principais pontos do acordo estão o entendimento nas áreas cambial, de propriedade intelectual, de serviços financeiros e o aumento entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões das compras chinesas de produtos agrícolas norte-americanos. Pelo Twitter, na noite de domingo, Trump escreveu que concordou em não elevar as tarifas de 25% para 30% em 15 de outubro e que o “relacionamento com a China é muito bom”.

“Terminamos a grande parte da fase um do negócio e seguiremos diretamente para a fase dois. O contrato da fase um pode ser finalizado e assinado em breve”, tuitou Trump, acrescentando que, pelo acordo, a China começará a comprar grandes quantidades de produtos agrícolas “imediatamente”, sem esperar que os termos sejam assinados, nas próximas três ou quatro semanas.

Hoje, mesmo com o feriado do Dia de Colombo nos EUA, as bolsas funcionam em Nova York, e os futuros, às 7h15, indicavam um pregão de baixa. Analistas consultados pela CNBC apontam sobre a possibilidade de uma “trégua temporária” ao invés de um negócio real.

Já o jornal estatal China Daily pontuou que, com base em prática passada, sempre há a possibilidade de Washington decidir cancelar o acordo se achar que isso servirá melhor a seus interesses”.

Na Europa, as bolsas operam em queda, com os investidores atentos aos desdobramentos do Brexit, cuja conclusão para um acordo precisa ocorrer até o dia 31 de outubro. A BBC informou, segundo a CNBC, que Reino Unido e União Europeia ainda estão divididos em relação aos acordos alfandegários.

Com a agenda esvaziada nos Estados Unidos, os investidores vão monitorar as divulgações do indicador de atividade econômica IBC-Br de agosto, às 8h00, e o Boletim Focus, às 8h25, ambos divulgados pelo Banco Central.

No noticiário local, o Valor Econômico traz que, com a queda dos juros, a Instituição Fiscal Independente refez seus cálculos e concluiu que, agora, o País necessita de um superávit primário menor, de 1,1% do PIB ao invés de 1,7% do PIB para a estabilização da dívida pública. O jornal destaca ainda que o governo pretende ampliar o crédito privado na economia, enquanto o jornal Estadão aponta que a procura por crédito foi a maior em nove anos.

Sobre as reformas, o Estadão informa que a reforma tributária pode não sair este ano. Já a Folha traz que, com o veto de Bolsonaro à criação de um imposto similar à CPMF, o ministro da Economia, Paulo Guedes, criou um grupo de trabalho para entregar em 60 dias, uma nova proposta ao Congresso, que seria dividida em três etapas.

Confira os destaques desta segunda-feira:

Após anunciar que chegaram a um “acordo muito substancial” com a China, o presidente Trump afirmou que a segunda fase começará “quase imediatamente”, assim que ocorrer a assinatura da primeira fase. “O acordo ainda tem que ser colocado em escrito, o que deve ocorrer de três a cinco semanas”, disse Trump, reforçando que essa é primeira etapa de um acordo mais amplo.

O secretário do Tesouro Steven Mnuchin anunciou que a Casa Branca pretende reavaliar a indicação da China como “manipuladora de moeda”. Já o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, pontuou que o anúncio de sexta-feira não tem qualquer influência sobre o aumento das tarifas previsto para o dia 15 de dezembro, de 15%, sobre US$ 160 bilhões em importações chinesas.

Mesmo após os tuites de Trump, a mídia estatal chinesa se mostrou cautelosa em comemorar o acordo. “Embora as negociações pareçam ter produzido um entendimento fundamental sobre as principais questões e os benefícios mais amplos das relações amigáveis, o champanhe provavelmente deve ser mantido no gelo, pelo menos até que os dois presidentes coloquem a caneta no papel”, diz o China Daily, segundo a CNBC.

O jornal chinês, em artigo intitulado “Vamos definir a ‘primeira fase’ antes de passar para a próxima”, pontua a imprevisibilidade do governo Trump quando se trata de política externa. “Com base em sua prática passada, sempre há a possibilidade de Washington decidir cancelar o acordo se achar que isso servirá melhor a seus interesses”, disse o China Daily.

Na Ásia, as bolsas fecharam em alta, refletindo os avanços no acordo comercial sino-americano, mesmo após os dados da balança comercial da China terem vindo abaixo do esperado. Em dólares, as exportações chinesas recuaram 3,2% em setembro, enquanto as importações caíram 8,5%. Apenas aos EUA, as vendas externas diminuíram 17% e as compras retraíram-se 20%.

Na Europa, as bolsas operam em baixa, em meio às negociações finais para um acordo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, prevista para o dia 31 de outubro. O primeiro-ministro britânico Boris Johnson pedirá ao parlamento britânico que apoie qualquer acordo para saída do Reino Unido da União Europeia, dentro de 24 horas, elaborado durante a cúpula da UE prevista para os dias 17 e 18 de outubro.

A União Europeia concordou em entrar em intensas negociações com a Grã-Bretanha para tentar romper o impasse sobre o Brexit. No entanto, se nenhum acordo for determinado até o dia 19 de outubro, Johnson está legalmente obrigado a pedir à UE um atraso até a data da partida (31 de outubro), mesmo que esteja relutante em seguir este caminho.

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Em comunicado no domingo, a Comissão Europeia afirmou que “ainda há muito trabalho a ser feito” e que as discussões em nível técnico seguirão hoje.

Entre as commodities, os preços futuros do minério de ferro fecharam com queda superior a 2%, enquanto os futuros do petróleo aceleram as perdas no início da manhã.

Confira o desempenho dos mercados, segundo cotação das 07h20 (horário de Brasília)

*S&P 500 Futuro (EUA), -0,48%*Nasdaq Futuro (EUA), -0,58%*Dow Jones Futuro (EUA), -0,44%

*DAX (Alemanha), -0,89%*FTSE (Reino Unido), -0,60%*CAC-40 (França), -1,02%*FTSE MIB (Itália), -0,69%

*Hang Seng (Hong Kong), +0,81% (fechado)*Xangai (China), +1,15% (fechado)*Nikkei (Japão), (fechado por feriado)

*Petróleo WTI, -2,14%, a US$ 53,52 o barril*Petróleo Brent, -2,25%, a US$ 59,13 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian fecharam com queda de 2,37%, cotados a 638,50 iuanes, equivalentes a US$ 90,39 (nas últimas 24 horas). USD/CNY= 7,0638 (-0,32%)

*Bitcoin, US$ 8.342,63, -0,21%R$ 34.486, -0,27% (nas últimas 24 horas)

No Brasil, destaque para as divulgações pelo Banco Central, às 8h00, do IBC-BR, índice de atividade econômica de agosto, e, às 8h25, com o Boletim Focus, que deve trazer atualizações para as perspectivas das principais variáveis macroeconômicas. Às 15h00, saem os dados semanais da balança comercial.

Sem pregão em Nova York, a agenda de indicadores externos ficou concentrada na Europa, com a produção industrial, que, em agosto, subiu 0,4% na zona do euro, ante julho, na série com ajuste sazonal. Na comparação com agosto de 2018, a produção caiu 0,4% na área do euro.

À noite, sairão os dados chineses de inflação ao consumidor e ao produtor (CPI e PPI, na sigla em inglês).

O presidente Jair Bolsonaro destacou pelo Twitter no domingo pela manhã uma série de ações do governo anunciadas neste mês. Ao todo, Bolsonaro enumerou 23 pontos que considera positivos que ocorreram até a segunda semana de outubro. Entre as ações, Bolsonaro citou a redução de crimes, a deflação de 0,04% em setembro, a sanção do novo marco das telecomunicações e o anúncio do aumento do limite para compras em free shops.

O presidente citou ainda o lançamento do programa Novos Caminhos pelo Ministério da Educação, que pretende criar 1,5 milhão de matrículas na educação profissional. “Faculdade é fundamental, contudo o ensino técnico é o motor para o retorno do dinheiro do contribuinte de forma rápida e eficaz”, comentou.

Sobre Bolsonaro, o Estadão pontuou o clima de rivalidade nas relações com os governadores de São Paulo, João Dória, e do Rio, Wilson Witzel. Durante agenda nos Estados, o presidente foi festejado e chamado de “mito”, enquanto Doria foi vaiado, em formatura de sargentos da PM em São Paulo; enquanto no Rio, Bolsonaro afirmou que pretende entregar um governo “muito melhor” para quem assumir, de “forma ética, moral e sem covardia”.

Já o descompasso político entre Bolsonaro e Doria está criando impasses em obras e projetos dados como certo pelo Palácio dos Bandeirantes, mas que necessitam do aval do Planalto. Segundo o Estadão, de sete projetos que dependem da parceria entre Estado e União, em cinco o governo federal pediu mais estudos antes de autorizar as ações ou determinou rumos diferentes dos defendidos por Doria.

A Folha acrescenta que, com a possível saída de Bolsonaro do PSL, o partido poderia abrir as portas ao governador do Rio, Wilson Witzel, para concorrer ao Planalto em 2022. Witzel é filiado ao PSC, mas poderia encontrar no PSL maior estrutura e recursos de fundo eleitoral, que o partido tem direito, para viabilizar sua candidatura.

Ainda sobre São Paulo, o apresentador José Luiz Datena, que lidera a intenção de votos para a prefeitura paulistana, disse ao Estadão que, se tiver de fato o apoio de Bolsonaro, será candidato pelo partido que ele indicar. Bolsonaro disse semana passada que Datena é a “menina mais bonita da praça”, em referência a São Paulo, maior colégio eleitoral do país.

Em relação às declarações de Bolsonaro sobre Datena, a deputada federal Joice Hasselmann, que pretende se candidatar pelo PSL à prefeitura de São Paulo, afirmou que o presidente não “trabalharia para sangrar uma fiel aliada” de acordo com o site da revista Época. O Globo na coluna de Lauro Jardim traz que o presidente “anda incomodado” com o estilo de liderança de Joice, enquanto o Estadão acrescenta que ela poderia migrar para o DEM.

Na briga interna do PSL, Bolsonaro pediu ao presidente da legenda, Luciano Bivar, uma relação completa de fontes de receita, despesas e funcionários, além da descrição das atividades dos dirigentes partidários custeados pelo partido. O objetivo é usar os documentos para promover uma auditoria independente nas contas.

A coluna Painel da Folha acrescenta que o PSL decidiu se armar, com dirigentes afirmando que a sigla já está cotando, por conta própria, empresas que possam analisar suas contas. Bolsonaro cobra auditoria das contas de 2014 a 2019. Prevendo que o embate vá acabar na Justiça, os dirigentes começam a reunir argumentos para questionar as investidas dos representantes do presidente em uma possível ação.

A Folha de S.Paulo traz ainda que notas fiscais da empresa Viu Mídia entregues pelo PSL à Justiça de Minas Gerais reforçam a suspeita de caixa dois na campanha do partido em 2018. Segundo a publicação, os documentos entregues durante a prestação de contas corroboram dados de uma planilha apreendida pela Polícia Federal na sede da empresa.

Por fim, o Estadão noticia que o Supremo Tribunal Federal (STF) prepara uma série de julgamentos relacionados à Lava Jato com potencial para contrariar os interesses de procuradores e mudar o rumo das investigações. Os julgamentos devem ocorrer até novembro e analisar o mérito de ações como prisão em segunda instância. Também deve ir a julgamento o caso sobre a imparcialidade do ex-juiz Sergio Moro em relação ao ex-presidente Lula.

O Valor Econômico traz que, com a queda dos juros, a Instituição Fiscal Independente (IFI) refez seus cálculos e concluiu que, agora, o País necessita de um superávit primário menor, de 1,1% do PIB ao invés de 1,7% do PIB para a estabilização da dívida pública. O IFI alerta, entretanto, que um grande esforço fiscal ainda será necessário ser feito, pois o déficit previsto para esse ano é de 1,4% do PIB – e prevê superávit apenas a partir de 2025.

O Estadão destaca que o número de pessoas que buscaram financiamento entre janeiro e agosto aumentou 10,3% sobre igual período do ano passado, na maior expansão desde 2010, quando a procura atingiu 16,4% e o PIB cresceu 7,5%. Juros ao consumidor em quedam inflação baixa e emprego em lenta recuperação explicam o movimento. Os dados são da empresa de informação financeira Serasa Exerian.

O Valor informa que o governo pretende ampliar o crédito privado na economia, em substituição ao público, por meio do envio de um projeto de lei que busca destravar e baratear o crédito, além de estimular a concorrência no mercado de bancos. Já o Globo pontua que, com a crise prolongada, a dívida das empresas com o governo subiu 84% entre 2013 e agosto deste ano, para R$ 2,4 trilhões – com 45% praticamente irrecuperáveis, já que muitas foram à falência.

Em Brasília, o destaque desta semana fica por conta da cessão onerosa, com a votação pelo Senado do projeto aprovado na Câmara definindo as regras de rateio entre estados e municípios de verba do pré-sal. O cenário ainda é complexo e deverá haver muito debate, mas a definição desta questão é essencial para garantir a votação da reforma da Previdência, prevista neste momento para dia 22, em segundo turno, no Senado.

Sobre a Previdência, o Senado pode finalizar nesta semana a análise do texto principal da reforma da PEC 6/2019. O Plenário terá as duas últimas sessões de discussão do texto final na terça-feira (15) e quarta-feira (16). Se cumprido o calendário, a PEC estaria pronta, em tese, para a votação em segundo turno na própria quarta.

O Estadão informou ainda que, sem consenso entre governo, Congresso, governadores e prefeitos, senadores decidiram colocar o pé no freio da reforma tributária. Um relatório sobre a proposta chegou a ser apresentado e está pronto para votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas os senadores admitem que será impossível concluir uma reforma neste ano.

“Não podemos contar com uma reforma tributária este ano”, afirmou a presidente da CCJ, Simone Tebet ao Estadão. “Há um briga entre Câmara e Senado, vão acabar criando uma comissão mista e esquecer o assunto”, disse, acrescentando crer ser possível a aprovação apenas de uma proposta simplificada, a ser enviada pelo governo para mexer em benefícios tributários.

A Folha reporta que, com o veto de Bolsonaro à criação de um imposto similar à CPMF, o ministro da Economia, Paulo Guedes, criou um grupo de trabalho para entregar em 60 dias, uma nova proposta ao Congresso. Guedes vem chamando a iniciativa de reforma tributária fásica, cuja ideia é fatia a proposta em três etapas.

Segundo a Folha, na primeira fase, haveria a simplificação e unificação de impostos federais, por meio do chamado IVA dual; na segunda, o governo enviaria a reforma do Imposto de Renda – que incluiria correção da tabela e tributação de lucros e dividendos; e na terceira, a desoneração da folha de pagamento.

A Petrobras fechou a venda à Imetame Energia Lagoa Parda da totalidade de suas participações dos campos terrestres do Polo Lagoa Parda, próximo ao município de Linhares (ES), pelo valor de US$ 9,372 milhões, que serão pagas em duas parcelas. A produção média atual do polo é de aproximadamente 300 barris de óleo por dia e 5,5 mil m³/dia de gás.

A Natura divulgou detalhes sobre o processo em que a recém-criada holding Natura&Co passará a abrigar as operações atuais de cosméticos e também as operações que serão agregadas após a compra da norte-americana Avon. A previsão é de que esse processo custe R$ 349 milhões, incluindo avaliações, publicações, assessoria jurídica e demais assessorias, segundo comunicado do grupo.

A American Airlines Group disse que está negociando uma possível parceria com a Gol. Uma porta-voz afirmou que a companhia aérea americana está “sempre procurando parceiros em potencial”. A Gol se recusou a comentar. A American afirmou que estava negociando um acordo que poderia “integrar voos entre as duas companhias aéreas na América Latina”.A Folha destacou que, para estimular governadores a vender companhias estaduais de saneamento, o Ministério da Economia fez um estudo em que detalha o potencial de ganho aos cofres públicos com as privatizações. Segundo a publicação, o documento conclui que a meta de universalização do saneamento básico até 2033 só será cumprida desta maneira. Para o governo, as empresas de saneamento valeriam até R$ 140 bilhões.

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)

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